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Sardinha Pequenina

A Sardinha Pequenina é uma marca portuguesa registada que tem como propósito contar histórias de gente real, aliando o poder da palavra escrita à qualidade e originalidade dos produtos. As pessoas reais inspiram-nos!

Aqui, para mim

01.06.22

Pelo tempo. Pela atenção.

Pelo cuidado. Pelo carinho.

Pelo abraço. Pelo beijo.

Pelos sorrisos. Pelas gargalhadas.

Pelas lágrimas partilhadas.

Pelas imperfeições – minhas e tuas – que decidimos moldar.

Pelos conselhos. Pelos momentos.

Pelas conversas. E pelos silêncios.

Nos dias de sol. Nos dias de chuva.

Por estares aqui. Para mim. Sempre.

Obrigado!

Treinador

24.05.22

Rola a bola.

Saltitona e inquieta.

Desenhas no papel a tática.

E, feito mágico, transformas o melhor de mim em resultados.

Num campo em que a igualdade e a tolerância fazem parte da estratégia e são garantia de vitória.

Leio no teu rosto a alegria de me veres crescer.

Neste campo que é maior do que as quatro linhas que o limitam, ajudas-me a ter um coração que bate no compasso certo: no desporto e na vida.

Professora

23.05.22

Contigo aprendi.

Os números. As letras.

Hoje sei mais sobre o mundo.

Hoje sei mais sobre tudo.

Hoje sei, principalmente, que o carinho traz ensinamentos que duram para sempre.

Cada lição regada de paciência.

Cada aula repleta de ternura.

Pescador de sonhos

05.04.22

Preparo a cana e lanço-a.

Puxo com força enquanto cerro os olhos.

Pesco um foguetão. Vejo um planeta também.

Atiro novamente. E pesco um palácio.

O meu avô sorri e diz-me para lançar novamente.

Durante a pescaria, ou enquanto o pião roda no chão, encontro sonhos.

Pesco-os. Desenrolo-os.

E o avô vai colorindo o meu mundo.

Grita e sorri. Bate palmas.

Inventa e constrói. Arranja e desmancha. Faz de conta.

Este avô que é também criança quando ao meu lado se senta.

E que cerra os olhos para guardar no coração os momentos que vive comigo.

Embalo

01.04.22

Enquanto a embalo, ela olha fixamente para mim.

O que procura ela?

Lê nas marcas do meu rosto o que sinto por ela.

Vê nos meus olhos o meu coração.

Repara no sorriso que não consigo esconder.

E ouve a ligeira canção que eu vou trauteando.

É um olhar sem critica. É um olhar que não dói. É um olhar que não me quebra.

Enquanto a embalo, até que os olhos dela cedam finalmente, a minha filha fita-me.

E naquele olhar, entre nós, quero partilhar o mundo com ela.

E naquele aconchego só nosso, quero dizer-lhe que a embalarei sempre.

Com carinho.

E cantarei. Cantarei sempre.

Para a embalar. Para a confortar. Para lhe dizer que a amo.

Porque és Mãe

30.03.22

No meio do meu próprio caminho, eu finalmente percebi.

Descobri o motivo para seres dona dos dias.

De dias que se prolongam para lá das horas.

Entendi porque é que és capaz de tudo. Por todos.

Mesmo sabendo que as dúvidas te assolam. Te atormentam.

Entendi porque é que és perfeita em tudo. E igualmente imperfeita.

Capaz de desempenhar tantos e diferentes papéis.

Capaz de ires das lágimas às gargalhadas. Do grito ao colo.

Nunca tinha percebido como era possível amares tanto.

Como se o teu coração fosse um fundo poço. Túnel sem fim.

Apesar dos teus dilemas. Das tuas vontades. Dos teus desejos.

Que sempre conciliaste com os de tantos.

Por vezes em segundo plano. Mas sempre atriz principal.

 

És assim. Porque és Mãe.  

E só agora o sei porque também eu o sou.

Peito aberto

20.03.22

Desfaço-me. Enlaço-me. Refaço-me.

As vezes necessárias.

Sempre que a vida o determinar.

Sempre com coragem para avançar.

Para refazer planos.

Para desfazer nós.

Para fazer caminho.

De peito aberto.

Com coragem. Com valentia.

Sempre meu

07.03.22

Como nasci? De que são feitas as estrelas?

Mil vezes as perguntas. Mil vezes as respostas.

Sorri. E conta-me histórias.

Mostra-me fotos.

Senta-te ao meu lado.

Dá-me a mão.

Baloiça-me.

E dá-me beijos.

Sempre meu. Meu Pai. 

Carta ao meu velho pai

13.02.22

Pai, eu oiço a tua voz. Sinto o teu toque.

Quando estás perto, sinto o bater acelerado do coração da mamã.

Sei que estás aqui. Ansioso por conhecer-me. 

 

Pai, embala-me. Por aqui. Por ali. Durante longas horas.

Aconchega-me nas noites frias. Cuida de mim. E da mãe. 

Coloca-me nas tuas costas e vamos passear. 

Deixa-me gargalhar contigo. Sê o meu herói.

 

Pai, deixa que eu cresça rodeada de amor.

Apesar da curiosidade, da rebeldia e da insensatez: características da juventude.

Dá-me a certeza do teu conselho. Dá-me a certeza do teu carinho.

Para que não me perca. Para que encontre sempre rumo.

Dá-me espaço. Mas garante que nunca me sentirei só.

 

Pai, agora que caminho sozinha, e que da tua casa parti, não me largues.

Trilho a estrada com a certeza de que sei bem a tua morada.

Porque a ela rumarei sempre. Para ouvir o teu conselho. Para colher a tua sabedoria.

 

Pai, como és belo quando sorris. Ao ver os teus filhos. Ao ver os teus netos.

Tens nas tuas mãos as marcas da tua história. Da nossa história.

Trazes contigo as recordações. Os locais, as pessoas, os momentos. 

Sou eu agora que cuido de ti. Como antes cuidaste tu de mim. 

 

Pai, agora que te sinto velho e mais cansado do que nunca, preciso de ti.

Como precisei desde o momento em que te ouvi cantar para mim - ainda na barriga da mãe.

Como precisei quando cresci e me tornei jovem, capaz de mudar o mundo.

Como precisei quando encontrei o meu caminho e garanti que dele fazias parte. 

Mas amanhã, meu velho Pai, sei que vou precisar ainda mais de ti.